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     Ontem ela compôs o III ato do poema que estávamos a fazer juntas.

                            Ficou bonito, coisa bem feita:

                                                                    http://circulovicioso.zip.net



Escrito por "Karina" às 04:58:47 PM
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Fragmentos de inutilidade

I

Minha mão já não é nada,
deixo-a correr, preguiçosa no lençol.
Não se abre aqui a janela,
já não há sorriso que obedeça ao Sol.


A Grande Estátua Vermelha,
erguida no calor e em intensos esforços,
Quebrou o corpo, encheu-se duma poeira,
fechando os olhos.


II


Água sobre o rosto
           desgosto
O espelho montado
          sobreposto
O reflexo narciso
          preguiçoso

III

Páginas duma coloração antiga...
Já me incomoda por demais a poeira destas.
Fecho-me, e nem sou livro que contenha a sabedoria
proibida nessa recente era.

Das minhas páginas sinto-me comprimida,
engasgo-me de teorias personalíssimas -
tão sós como um canto "à capella".
Nem me chega o ar, nem novas letras
chegam a pintar essas laudas amarelas.

......................................

          ... talvez me tenha sobrecarregado a consciência;
        pouco menos que iluminação beatificada.
     Veio, na verdade, feito monstruosidade...


IV

Meus fantasmas são trinta
e outros trezentos possíveis.
É só fechar os olhos,
fugindo de toda a poeira atingível
e extrair de dentro a camada superlatente.

V

Sofregamente
tenho uma inclinação
exclusivista
Em tudo, agora,
nem ao menos eu sinto
a brisa.

VI

Mas, já com dor e piedade levanto-me.
Mas, já torcida, um tanto,
quero gritar ao mundo:
 - Levanta-me!
E me esqueço de mim,
lembrando-me.

                 30 de março de 2005.


 



Escrito por "Karina" às 04:15:56 PM
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 Já não mais tudo se forma numa onda de turbulências.

                                                               Aceita os sentimentos e eles estarão a se portar num só espaço, num só ser, de forma ordenada - deixa que eles se manifestem, apenas isso.

                                                                                                      Ato I - vejam no "Círculo vicioso" - http://circulovicioso.zip.net       

                                         O meu agradecimento por tudo, querida Renata.



Escrito por "Karina" às 11:42:44 PM
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Mãos frias      tão leves

Transpiram      inquietas

Arrisco-me      num destino

Sem grito        que escurece

Eu finjo           um caminho

Um riso           seguro

Tranqüilo        que me leve.

                     26 de março de 2005.

 



Escrito por "Karina" às 03:09:00 PM
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Pedem-me para voar, e eu só sinto

Pedem-me para voar, e eu só sinto.
A Roda da Fortuna quebrada,
Despenca no meu deslize contínuo.
Eu só sinto...
No corpo, a Nona Esfera chama-me.
Minha deixa é sofrer feito Shiran,
Tendo de todo o Karma, absorvido.
Mas o símbolo do infinito, já não o domino.
Origem de todas as bestas, homens e Deuses,
Olha-me a cair no abismo.
Para O Mago, tenho um sorriso de deleite.
Caio como O Louco num sentir não-definido.
   24 de março de 2005.

                        



Escrito por "Karina" às 05:03:44 PM
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Planeação

Tal como é, linda alma,
vem a pousar cor de azul
esperança. Abstratamente,
sem formas, pois adentra e reluz.

Há também de ser, linda rosa,
quando olhar-te - cor vermelha -
e meus olhos de gneiss e lôbregos,
produzirão a veemência, sagazes de luz.

Por enquanto, preparo-me, e pouco sei.
Já não mais o peito, talvez, soará tórrido
como no colóquio que freqüentemente recitei.

Ao já estar aprontada - verei-me assim,
virar também rosa aliciada,
a beber de calmaria e de viver.

  22 de março de 2005.



Escrito por "Karina" às 02:04:58 PM
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Agora já estou a escrever algo, e que enviarei, provavelmente às 21h.



Escrito por "Karina" às 05:58:36 PM
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Netuno em Fogo - após "delírios"

Mais uma morte se vai,

pois o fogo austero se esvario;

não apenas a ação decai

mas, os sonhos, passam a ser retratos

sonambólicos e doentis.

Em todo o mais, o relógio

corta um tempo em desvario.

Não há, não liberta, é somente

fome de desordem -

é teimar sem o rosto pueril.

Nada é a madeira a qual

deslizo as minhas mãos e vejo.

Não só o tempo vem a partir tal matéria

como o fascínio de sua rudeza trabalhada.

Pois, a madeira e tantas coisas

que me pregam atenção

Não existem na sua forma mística.

O além, que fluirá feito água

sem que eu me utilize de qualquer balde

Vem a mim com pouca sorte,

Sempre que deixo em conceitos

o que escapa das mãos, sem paixões,

visões e entendimentos.

                          21 de março de 2005.

 



Escrito por "Karina" às 05:53:39 PM
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 2005

 



Escrito por "Karina" às 12:42:38 AM
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A moral

A moral mora

na oca morta

na fossa imporca

na mente faltosa

na proteção contra 

a facínora.

Na gárgula presa com

babosas,

Não molhando a casa

que se comporta.

A tal moral, sempre

tão garbosa

mora na minha loucura

que se demora.

É uma doença

contagiosa.

Prende-nos o coração

feito cola estampilhosa.

E mesmo ao estar de fora,

nos namora.                    7 de março de 2005.



Escrito por "Karina" às 10:46:18 PM
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