Fragmentos de inutilidade
I
Minha mão já não é nada, deixo-a correr, preguiçosa no lençol. Não se abre aqui a janela, já não há sorriso que obedeça ao Sol.
A Grande Estátua Vermelha, erguida no calor e em intensos esforços, Quebrou o corpo, encheu-se duma poeira, fechando os olhos.
II
Água sobre o rosto desgosto O espelho montado sobreposto O reflexo narciso preguiçoso
III
Páginas duma coloração antiga... Já me incomoda por demais a poeira destas. Fecho-me, e nem sou livro que contenha a sabedoria proibida nessa recente era.
Das minhas páginas sinto-me comprimida, engasgo-me de teorias personalíssimas - tão sós como um canto "à capella". Nem me chega o ar, nem novas letras chegam a pintar essas laudas amarelas.
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... talvez me tenha sobrecarregado a consciência; pouco menos que iluminação beatificada. Veio, na verdade, feito monstruosidade...
IV
Meus fantasmas são trinta e outros trezentos possíveis. É só fechar os olhos, fugindo de toda a poeira atingível e extrair de dentro a camada superlatente.
V
Sofregamente tenho uma inclinação exclusivista Em tudo, agora, nem ao menos eu sinto a brisa.
VI
Mas, já com dor e piedade levanto-me. Mas, já torcida, um tanto, quero gritar ao mundo: - Levanta-me! E me esqueço de mim, lembrando-me.
30 de março de 2005.
Escrito por "Karina" às 04:15:56 PM
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