É o imaginar o fim dum mito, de uma estrutura
... é que de repente eu vi que tinha estátua de vela. Bastou-me avivar um pouco de fogo, elemento que a fez derreter-se aos minutos. E carregava no contexto um brilho discreto (na ponta), naquela iluminação necessária. A imagem... Ah! Quando já se mesclava ao fogo, só me era bela e simbólica, até mesmo o que me restara de sua representação perfeita, intacta e completa... Já não me era completa por ser apenas símbolo. Com uma importância, claro, mas, já não me era aquele algo que tinha a vida e toda a verdade - e já não mais disso eu me absorvia, já não mais me preocupava. Minha vida bastava estar em admirar aquela imagem, e não sê-la - ou precisar ser; ou me bastava focar os olhos em qualquer coisa. Qualquer coisa! E assim sentia o corpo frouxo de quem tem a carne indecifrável, e a leveza de quem já não sabe. E nada estava completo, nada existia de fato. E, portanto, eu a olhava com mais compreensão, entretanto não me absorvia. Eu me era tão terrivelmente nada e tudo em volta era coisa incerta, coisa que se eu enjoasse haveria de não mais viver daquilo ou daquela.
E sim senhor, com todo o direito de não ser! de não ter! E por que não? As costas estavam confortáveis, os olhos já não se esforçavam pra muita luz, a cabeça poderia estar vazia ou não. E era vela, mas não apenas, e se transmutava...
Escrito por "Karina" às 05:32:52 PM
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