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É o imaginar o fim dum mito, de uma estrutura

 

 ... é que de repente eu vi que tinha estátua de vela. Bastou-me
avivar um pouco de fogo, elemento que a fez derreter-se aos minutos. E carregava
no contexto um brilho discreto (na ponta), naquela iluminação necessária. A
imagem... Ah! Quando já se mesclava ao fogo, só me era bela e simbólica,
até mesmo o que me restara de sua representação perfeita, intacta
e completa...
 Já não me era completa por ser apenas símbolo. Com uma importância, claro,
mas, já não me era aquele algo que tinha a vida e toda a verdade - e já não mais disso
eu me absorvia, já não mais me preocupava. Minha vida bastava estar em admirar aquela
imagem, e não sê-la - ou precisar ser; ou me bastava focar os olhos em qualquer coisa. Qualquer
coisa!
 E assim sentia o corpo frouxo de quem tem a carne indecifrável, e a leveza
de quem já não sabe. E nada estava completo, nada existia de fato. E, portanto, eu a olhava
com mais compreensão, entretanto não me absorvia. Eu me era tão terrivelmente nada e tudo em volta
era coisa incerta, coisa que se eu enjoasse haveria de não mais viver daquilo ou daquela.

E sim senhor,
com todo o direito de não ser! de não ter! E por que não? As costas estavam confortáveis, os olhos já não se esforçavam
pra muita luz, a cabeça poderia estar vazia ou não. 
 E era vela, mas não apenas, e se transmutava...



Escrito por "Karina" às 05:32:52 PM
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Noutra hora:

"estarei aqui"

Numa outra já se vai.

Duro é ir à ponta do cais

Com as mãos a acabrunhar

O pescoço – voz tão proibida!

Nada dimana, sai,

é estático e apenas reflexivo.

Não se estende o grito.  

E há assim outra saudade

(ine)experiência malograda.

Sem som,

um "ai"!           

                18 de abril de 2005.    

                     



Escrito por "Karina" às 11:12:59 PM
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