A Grande História
a você
I
Bem pode ver, que meu cavalo Corre macio e indelicado, Minhas mãos raspam na grama longa Dum verde de tom abrasado - Alegre é o campo em que corro.
Meus olhos, bem os vê, são vazios. Minha cabeça ergue-se a explorar o campo. Ele é aberto, bem o sei aberto e arriscado. Eu rebento muito pra avisar ao meu atalho Que se faça breve.
Orgulho-me, meu ar majestoso e juvenil! Sei bem, não posso adorá-lo! Não posso! Vale-me mais conhecer todo o mato E ter o corpo tão leve, mais tão leve, Para eu e o tal servil flutuarmos.
II
Paramos, veja lá que ao longe Há coisa viva, que corre, que quem sabe Até gritar, grita.
Até agora, o capim frio da brisa, E o cavalo tão rude a me acompanhar - Eu também tão-ar e fogo que insistia em espargir... Percorria tão rápido, e não havia quem pudesse Virar pra mim e avisar . Entretanto, talvez eu sinta, que por onde passei Sem delicadeza, no meu modo caustico, Muito do âmago destroçado deixei... Mal o vi, mal o conheci. Sei que a grama era leve, embora longuíssima, apenas...
III
Mal cheguei a casa, despertei-me do sonho. Eu não era, nem sou - digo-te, ouça minha voz Tem gradação amarga, embora haja alívio - Quem corria de cavalo, inda mais num campo. No meu sonho, sofria dum "donjuanismo" Por ser um desbravador (sim, desbravadOr) sem intervalos. Para tal, não mantinha afetos, assim corria livre.
Depois... não lembro... Parei e vi a casa, Lá tinha gente que se movia A coisa apertava, apertava fundo: Era fascinante e jamais os invadi! Jamais os invadi e era fascinante! E eu acordei do sonho.
IV
Minha história sem lógica Faço-a Não me importa.
A lógica vai se fazendo antes que vire a ti anedota.
Sorri, apenas. E prossegue...
V
Sabe o mal? Ainda o temo... Feito coisa que calha aqui dentro, Feito coisa natural, feito capim - Ele cresce dentro de mim E mesmo assim o temo. Só passo as Mãos, às vezes, num movimento Circunspeto.
Sei que de mais sério, minha própria Rigidez e seriedade. Nada mais.
*** O mal e eu Abraçados E um gosto de Terra.
VI
Passo a madrugada num bangue-bangue interno Armas poderosas são distribuídas Diversas entidades já antigas batalham. Artifícios novos. Dei-lhe as armas.
No meio disso, no meio de tudo ... Você consegue se ver? Olha lá: No meio do tiroteio - desculpe-me. Eu disse que os teus olhos cairiam... eu bem disse... Pude vê-los porque eram azuis e antes firmes. Aqui dentro uma balbúrdia e os teus olhos: Eles caíram magoados.
Neste dia eu roguei às entidades, Que parassem, por favor, e os recolhessem. Que fizessem silêncio, percebessem. Não pararam... Confusas, Perderam-te!
VII
Já estou pela manhã, não dormi, Eu tenho sono. Meu irmão hoje faz aniversário, Não quero dar-lhe mais do que Um "parabéns" num longínquo espaço. E fico a pensar, recolhida, Que de ti tenho saudades.
Quando fiz anos deu-me um livro Bonito... Quase fiquei a pensar Que poderia aprender a ser "poeta". E há pouco eu ajeitava partituras, E limpava o violão com uma flanela... Joguei tudo pra te escrever esses versos. 2 de maio e 3 de maio.
Escrito por "Karina" às 02:04:37 PM
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|